A revolução dos bobos

 

Hoje, dia 1º de abril, completam-se 44 anos do Golpe Militar Brasileiro. Sim, no primeiro dia de abril, posto que a data é referente ao dia do desenrolar da ação, como me explicou uma vez o jornalista e escritor Flávio Tavares.

Por este motivo, não deixa de ser curioso o desenrolar da “Revolução” em uma data conhecida como o “Dia da Mentira”.

Conhecido como “Anos de Chumbo”, o recente período militar brasileiro traz muita saudade a veteranos reacionários e esperança a jovens demagogos, que acreditam piamente que a volta dos militares ao poder tornaria o Brasil um pedaço do céu na Terra.

Utilizado com freqüência como totem do desenvolvimento do país, o “Milagre Econômico” é endeusado e transformado em bandeira para legitimar uma nova ditadura.

 

“No campo econômico, os militares acreditavam ser impossível alcançar o desenvolvimento com um sistema político aberto. Apesar disso, seu governo necessitava de uma aparência democrática para legitimar-se.

A partir de 1970, houve um crescimento acelerado da economia nacional, com a entrada maciça de capital estrangeiro e o fortalecimento do setor estatal. Desde 1967, os Estados Unidos aumentaram a disponibilidade de recursos repassados à América Latina, visando acelerar o crescimento econômico e barrar a subversão social.

O Brasil viveu o auge do seu ‘milagre econômico’, com um crescimento na economia nacional sem precedentes na história. O ‘milagre’ se baseou no endividamento externo para a obtenção de tecnologia estrangeira e na concentração de renda para criar um mercado consumidor. A economia crescia a uma taxa de 10% ao ano, especialmente na indústria automobilística, causando uma maior dependência do petróleo. Já a inflação média era de 17% anuais, mantidas através do controle de gastos públicos e no aumento da arrecadação.” *

 

Outra virtude dos líderes da caserna alardeada pelos novos libertadores é a capacidade do extermínio da criminalidade e da corrupção graças ao poder repressor. Em uma rápida busca pelo Orkut, é fácil achar fãs da Ditadura com páginas recheadas com pérolas do tipo: “Fome? Desemprego? Violência? Desordem? Baderna? Marxismo? Traficante vivo? Não, não, não… Nosso pensamento político desconhece essa realidade”.

 

“Em 1968, a eficiência do aparato policial-militar vinha aumentando por causa de informações obtidas através da tortura de suspeitos de participação em movimentos subversivos. A partir de então, essa prática se transformou em um instrumento intimidatório do governo, utilizado contra seus opositores. O próprio general Ernesto Geisel – que anos depois assumiria a presidência da República – defendeu o uso da tortura como justificativa para acabar com a ameaça subversiva: ‘Era essencial reprimir. Não posso discutir o método de repressão, se foi adequado, se foi o melhor que se podia adotar. O fato é que a subversão acabou’ (GASPARI, 2002, p. 18).

Em resumo, o governo brasileiro estava agora, em meados de 1969, utilizando todos os meios [...] para obter informações necessárias ao extermínio da ameaça guerrilheira. A tortura dos inquisidores às vezes durava até dois meses, mesmo quando os inquisidores já haviam perdido a esperança de extrair a mínima informação (SKIDMORE, 2000, p. 181).

Além da repressão exercida pelo governo, os esquerdistas eram perseguidos por grupos armados de extrema-direita. Um dos mais famosos era o Comando de Caça aos Comunistas (CCC).” *

 

No Orkut, utilizando as palavras-chave “Ditadura Militar” em uma busca por comunidades, encontram-se quadro dezenas de títulos. Muitas estão abandonadas. Mas o que chama a atenção é que as que pregam a volta do regime de exceção são as mais populosas e em maior número. Como se o passado recente instigasse a ilusão de salvadores da pátria camuflados.

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Os criadores desses grupos são, em sua maioria, ou militares, ou jovens com menos de 25 anos.

Tortura, censura, desaparecidos políticos, liberdade individual. Esses parecem ser temas não lembrados, ou forçadamente esquecidos, por esses cidadãos que, graças à Democracia, podem, livremente, escrever e expressar seus desejos e o que pensam.

Que a Ditadura Militar Brasileira se mantenha viva na lembrança de todos. Mas que essa presença seja analisada racionalmente para que jamais volte a acontecer.

 

(*) “O Arrependimento Via TV – O Papel da Televisão na Exposição dos Casos de Retratação no Regime Militar Brasileiro”, de Lucas Azevedo


~ por byrocai em 01/04/2008.

Uma resposta to “A revolução dos bobos”

  1. A estupidez humana não tem limites.

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