A família como ela é: primo Jeremias
As equipes estavam a postos. A casa no subúrbio era guardada por altos muros. Lá em cima, cerca elétrica e câmeras de vigilância. Dentro da residência, uma quadrilha de assaltantes de banco estava reunida.
- Alfa 9, Alfa 9, tudo pronto? Câmbio!
- Positivo operante, Alfa 1. Prontos. Câmbio.
- Afirmativo. Esperar contagem no três. É um, dois, três!
- No chão, no chão!
Todos os suspeitos estavam rendidos. As equipes da polícia lograram êxito na ação.
Mas, de repente, alguém surge na porta atirando a esmo.
- O que é isso?!
- Não atira! Não atira! Cessar fogo! É o Jeremias!
- Jeremias, baixe a arma, desgraçado!, bradou o comandante da ação.
Primo Jeremias, o franco-atirador

Jeremias é o irmão do meio de uma prole de sete. A família é de policiais. O avô, o pai, os irmãos mais velhos. Até a mãe já fora da polícia. Porém, o problema de Jeremias era o olhar. Não que ele tivesse um olhar meigo demais para encarar um bandido, ou amedrontador em demasia para se dirigir a uma vítima, mas um olhar, diria, camaleônico.
Jeremias é tremendamente estrábico. Com muito esforço, acabou o Segundo Grau. Nunca foi adepto de esportes. No futebol, só dava mancada. O mesmo no vôlei, no basquete, até no botão.
“Vocês não sabem. Eu enxergo mais que todo mundo. Tenho visão periférica”, afirmava. Não via problema no seu problema. E como toda a família, resolveu entrar para a polícia.
Conseguiu, a muito custo, ingressar na corporação. Mas em sua primeira missão de campo, já fora rechaçado pelo grupo.
- Assim não dá, delegado! O cara chegou lá atirando até nas moscas!
- Calma. O Jeremias é de uma família tradicional na polícia. Temos que ser compreensivos e tentar achar uma solução.
O avô de Jeremias era o temido desembargador Praxedes. Fora Chefe de Polícia, comandara o gabinete de segurança de um governador. Tinha, inclusive, um passado nebuloso, como temível torturador do Dops.
Praxedes tinha muita voz na polícia. E, diziam, mandava mais que o secretário de Segurança.
Dessa maneira, em pouco tempo, Jeremias entrou para o Grupamento de Operações Especiais. Sua primeira missão foi um assalto a ônibus com refém. O assaltante, visivelmente drogado, segurava à frente do corpo uma mulher. O bandido estava acuado, desesperado. A polícia inteira cercando o ônibus.
- Chama o sniper!
- Como?
- O sniper. Já!, mandou o desembargador Praxedes.
Todos a postos.
Momentos depois, ouviu-se um tiro. Um corpo tombava. A refém aos prantos, não sabia o que havia acontecido. Assim como ela, todos os espectadores, a imprensa e a própria polícia. E o ladrão também.
Do alto do prédio, Jeremias levanta e pergunta pelo rádio:
- Acertei, né?
Na frente do ônibus, jazia o corpo do desembargador Praxedes.

Esse tá mais difícil de eu identificar na minha família…imagina!um psicopata armado e vesgo, ainda por cima!
Hoje foi a minha primeira visita. Por acaso. Adorei. Vocês são muuuuuuuito criativos.
O Byocai é bom demais. Voltarei muitas vezes. Parabéns. como é que vocês conseguiram essas fotos incríveis? Abração. Nara