Velhos assaltos
Uol

cynthia vanzella
Doces anos nos quais os assaltos a banco eram românticos, com causas nobres, ou até recheadas de ideais. Houve época em que o bandido roubava “só o do patrão”. Ao sair, ainda atirava para cima um maço de folhetos políticos.
Foi-se o tempo do “mãos ao alto, é um assalto” ou um singelo “ninguém vai se machucar”. Hoje temos táticas de exército, com atirador de elite e escudo humano.
A mais recente modalidade é o “foda-se a grana”. Não se leva o dinheiro, mas sim partes do próprio banco. Os caixas eletrônicos já estão saindo de moda. O “in” da estação são as portas de ferro. Qualquer dia vão encontrar um desmanche de portas giratórias.
A polícia chega:
- Mãos ao alto! É a polícia.
- Eles já foram, moço.
- Já? Feriram alguém?
- Não.
- E o cofre? Chegaram ao cofre?
- Cofre? Não.
- Foram direto nos caixas, então?
- Hummm… não.
- Não lograram êxito, portando.
- É, depende. Eles lavaram a porta.
- O quê?!
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