Aplausos de pé para Jorge Drexler
O 3º Festival de Inverno de Porto Alegre contou com duas apresentações do uruguaio Jorge Drexler na turnê do disco ao vivo “Cara B”, lançado este ano. O Teatro do Bourbon Country lotou nas duas noites, e quem lá esteve presenciou um verdadeiro espetáculo.
O repertório engloba os álbuns “Sea”, “Eco” e “12 Segundos de Obscuridad”. Simpático, Drexler esteve a maior parte do tempo sozinho no palco, conversou muito com o público, pediu sugestões de músicas, contou histórias e transformou o show em uma confraternização.
A noite começou com o tradicional banquinho e violão, porém acrescido de pedais de efeito, citações sonoras e uma verdadeira colagem de elementos. Drexler brinca com o som. Mais tarde, empunhando uma guitarra, apresentou dois números sensacionais que, além de muito bem executados, sintetizaram a maneira com que o uruguaio tem lidado com sua música.
Primeiro uma nova versão para a música “Deseo”, que começou com uma seqüência de sons pré-gravados que formam o ritmo da canção. São campainhas de bicicleta, cantos de pássaros e até a voz de uma aeromoça anunciando a chegada a Porto Alegre.
Depois, um momento mágico em que Drexler começou a samplear vocalizações e ruídos feitos na hora. Esse conjunto de sons foi mixado ao vivo e formou a base sobre a qual ele disparou “El Pianista Del Gueto de Varsovia”. A música tomou uma roupagem forte e contundente.
Outro ponto alto da apresentação foi a participação do gaúcho Vitor Ramil. Amigos, os dois dividiram o palco em “Eco”, “Viajei”, “A Zero Por Hora”, “Astronauta Lírico” e “12 Segundos de Obscuridad”. O uruguaio se rendeu em elogios ao pelotense e a platéia agradeceu a amizade que gerou lindas combinações de violões e vozes dos dois cantores. O ganhador do Oscar ainda mostrou “Dance Me To The End Of Love”, dando uma cara de milonga a Leonard Cohen, e cantou em português “Dom de Iludir”, de Caetano Veloso.
No bis, o cantor, andando maravilhosamente na contra-mão de toda a sua apresentação, fugiu do microfone e, sentado à beira do palco, tocou “Soledad”. O público sussurrava a canção junto com Drexler, que foi carismático, competente, experimental, lírico e intimista.
Aplausos de pé para Jorge Drexler.
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*Marcos Cunha é jornalista, músico, crítico de música e colaborador deste blog. marcos@eletrograma.com.br
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Concordando com cada palavra do texto acima…
Lindissimo show!!
quisera eu ter conseguido descrever o show com tamanha competência. parabéns!